quinta-feira, 5 de março de 2015

Um exercício chamado empatia.

"Se coloque no meu lugar"
         É comum ouvirmos essa frase ao longo da vida, mas raramente daremos ouvidos à ela verdadeiramente. Eu diria até que isso é um dom, um dom incrível que poucos de nós vai aperfeiçoar. E eu escolhi fazê-lo, principalmente porque isso me salvou.
         Me salvou da arrogância, da ignorância, e mais ainda da presunção de me sentir superior a alguém, independente de situação ou motivo. Mas nem tudo são flores, ter empatia é sobrecarregar-se com o peso de uma humanidade desumana - licença poética -
         O peso de uma exclusão, que enquanto dominada pelos males do individualismo e egoísmo extremos, eu carregava somente por mim, e de repente sentia pelos outros também, aumentando gradativamente a cada dia.
         Cada descoberta uma nova decepção, cada dia se aperfeiçoando nesse dom magnífico, é equivalente a anos de clareza. O mundo fica mais claro, e as pessoas... Bom, ver as pessoas sob a luz nem sempre é uma experiência agradável.
         But I feel good now. Eu posso notar problemas maiores que os meus todos os dias, e eu descobri minha capacidade e adquiri uma paciência gigantesca, para lidar com eles. E eu amo incondicionalmente àqueles que fui implicitamente ensinada a odiar, uma dessas pessoas sou eu mesma.
         Vai  ter aquela pessoa que vai te dizer que você está errada, que está maluca, mas a sensação de estar fazendo a melhor coisa da sua vida é bem maior que isso, esteja certa.
E lembre-se: EXERCITE SEUS DONS.
Alanis Morissette em seu clipe "Empathy", diva.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O feminismo e a minha atual relação com as outras mulheres.

         O feminismo virou um assunto batido na internet nos últimos meses, e quando algo se populariza na rede, espalham-se verdades e boatos. Infelizmente, muitas pessoas se apegam nos boatos e nas falácias.
          Não sei se por comodismo ou preguiça de pesquisar as coisas a fundo.
          Desde então, existe uma movimentação enoorme de mulheres juntas em campanhas anti-feminismo. Com direito a plaquinhas e discursos, exatamente igual a algumas campanhas feministas.
          Eu não vou explicar o que é feminismo, porque meu intuito aqui não é esse, mas o que não falta na internet são informações pró e contra, é só dar uma googlada - séria e profunda - que fica facilzinho de entender mais sobre o assunto.
           Hoje eu preciso falar, na verdade, sobre como eu passei a enxergar as mulheres à minha volta, depois que conheci o feminismo. Sobre como eu me sensibilizo mais quando o assunto é violência contra a mulher, ou sobre o quanto eu me aproximei mais das minhas amigas, das minhas irmãs, da minha mãe... Mesmo que essas demonstrem grande resistência com a minha forma de pensar e de agir.
           Preciso falar também, sobre o dia em que eu percebi que eu não fazia mais comentários sobre a roupa das outras mulheres, ou sobre como elas decidiram viver. E também não falava mais a famosa frase: nossa, como fulana tá gorda. E sobre como eu não mais me pego reparando na roupa daquela mulher que acabei de conhecer.
           Preciso falar que no dia em que me falaram; olha, sá, você é feminista sim!
Comecei a me tornar a pessoa que eu, desde criança quis ser. Livre pra escolher que eu não quero ter filhos, e ainda ter forças pra enfrentar toda a pressão social envolta nisso. E ainda me peguei lembrando do quanto eu ficava incomodada quando os homens faziam comentários nojentos pra minha mãe e irmãs na rua, mesmo quando elas estavam acompanhadas de uma criança.
           Preciso falar que apesar de ter sido bombardeada por notícias e comentários que me faziam odiar e competir com outras mulheres, hoje eu não faço mais isso. Preciso falar que o feminismo me fez enxergar as outras mulheres como companheiras de luta, porque ser mulher é lutar todos os dias por respeito, por reconhecimento, e por liberdade.
           Preciso falar que o feminismo não me fez odiar os homens, ele só me fez amar incondicionalmente, todas as mulheres.

foto retirada do site Noo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Papoula da Índia

    Me lembro com amor daqueles olhos gigantes e daqueles cabelos claros que esvoaçavam, dançando com o vento ao correr em minha direção.
    Cabelos claros que voavam, e me deixavam claro que eu estava diante do amor, da liberdade e da solidão. Essa última sempre me rondou, não me larga um segundo sequer. E de uns tempos pra cá, seus sintomas se mostraram mais intensos e insuportáveis, e cada vez mais presentes.
    E quanto mais cercada estou, mais presente ela se faz. A solidão pode não ter os cabelos claros, nem cerrar os olhos ao sorrir o sorriso mais inspirador que eu já vi. Mas a liberdade que eu conheci, tinha tudo isso, e foi a coisa mais linda que eu já presenciei.