sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Enfim, o fim pra um outro começo!

      Menos de uma semana, pro final de alguns ciclos. O final do ensino médio, as incertezas do futuro, a nostalgia por todos os anos que ficaram pra trás, os colegas, os amigos, quase o fim de uma vida inteira.
      O fim de alguns encontros desencontrados, o fim de algumas desilusões, o começo de alguns vícios, e a incansável espera por tempos melhores. Deixo pra trás nesse ano, boa parte da minha história. Boa parte do que eu fui, fui porque hoje já não sou mais, e amanhã já não serei como hoje sou.
      É assim que somos, seres mutáveis. O mundo não, o mundo é sempre o mesmo, a vida também, não vai ser diferente no próximo ano. Vamos viver mais encontros, alguns, ainda mais desencontrados que os de hoje, mais dissabores, algumas tristezas, talvez até o fundo do poço. Acontece.
      Mas vamos viver alegrias, encontros encontrados, amores efêmeros, outros não. E vamos sair do fundo do poço novamente, os ciclos se fecham, mas alguns sempre se repetem, a menos que no meio dessas mutações todas, nos encontremos enfim, onde sempre quisemos chegar, com quem escolhermos chegar, ou até mesmo sem alguém, sem algum lugar, vivendo como nômades na imensidão de nós. Somos intensos, somos profundos, somos complexos. Mas estamos aqui por algum motivo, e é por isso que mudamos, somos mesmo essa metamorfose ambulante, todos somos, e Raul sabia.
      Esse não é o fim, a luta continua, a vida segue, e nós podemos até não estar mais no corpo físico daqui a cinco dias, mas a alma a gente leva. O mundo começa agora, apenas começamos!
O lírio, o recomeço.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ser negra ou não ser? Quem decide isso, eu ou você? Carta aos engraçadinhos.

    Mal consigo calcular, quantas vezes ouvi alguma gracinha sobre mulheres, negros, gordos, gays, loiras...
A maior parte delas, quanto feitas na minha presença, reagi em tom de brincadeira, porém, visivelmente incomodada.
E aí eu recebia como resposta:
- AH, MAS VOCÊ NEM É TÃO NEGRA...
Dentre as maravilhas -só que ao contrário- que eu ouvi também tinha um:
- AH, MAS VOCÊ NEM É TÃO GORDA...
Eu juro que dentre as pérolas só faltava mesmo eu ouvir uns:
- Ah, mas você nem é tão mulher...
- Ah, mas você nem é tão gay...
Ou ainda um:
- Ah, mas você nem é tão pobre...
   Como se o que viesse dessas pessoas definisse quem eu devo ser.
   Como se a palavra delas fosse o veredito final, e eu não pudesse falar mais nada. Afinal, eles disseram que eu não sou, então tá tudo bem.
Pois saibam que eu sou negra SIM! Eu sou gorda SIM! Obrigada.
Saiba ainda que a sua aprovação não me faz sentir melhor que os meus irmãos. Se era essa sua intenção, desculpe desapontá-lo, você falhou na missão soldado.
A sua aprovação nem mesmo me interessa. Mando beijos e lembranças, e reafirmo mais uma vez:
NEGRA SIM! GORDA SIM! MULHER? SIM SENHOR!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Detalhes no tecido.

Hoje eu posso me lembrar das inúmeras vezes que pensei em desistir de tudo.
Bom, parando pra pensar, me peguei lembrando também, das incontáveis vezes em que olhei pro céu azulzinho de um domingo ensolarado, e de todas as vezes que parei pra escutar os passarinhos que cantavam na janela do meu quarto.
Ou ainda dos pequenos grupos de músicos que eu via nas ruas cheias de gente apressada, e suas canções iam me levando em poucos segundos pra bem longe dali.
E são nessas horas que eu consigo compreender o porquê d'eu nunca desistir.
Eu entendo então, como eu cheguei até aqui, cheia de arranhões, mas inteira e feliz. Muito feliz.
Me veio então à mente uma metáfora bizarra do que é viver:
A vida é como uma roupa que compramos no camelô. Mal vista, barata, às vezes vêm até com um buraco e cheia de outros defeitos. Mas se olharmos alguns detalhes, pequenos detalhes que ninguém repara, talvez um pequeno reflexo da sua personalidade, aí sim ela pode valer muito a pena.


"Hold your own, know your name, go your own way, and everything will be fine"

sábado, 13 de dezembro de 2014

Perdão.

Hoje eu preciso pedir perdão.
Perdão a todas as pessoas que eu, algum dia, do alto da minha ignorância e egocentrismo, magoei pra me sentir superior.
Perdão a quem já fiz chorar com as facadas que saíam dos meus lábios.
Perdão às irmãs que eu subjuguei pelas vestimentas ou pelas músicas que ouviam.

Hoje eu peço perdão, pois reconheço que já magoei, e a última vez que tentei fazê-lo pessoalmente,
ouvi as palavras mais devastadoras que eu poderia ter escutado em toda a minha vida:
-Você não está sendo sincera, você vai fazer isso de novo, eu te conheço.
Senti nessas palavras que eu não tinha alcançado o perdão esperado, mas eu sei que meu pedido foi sincero, eu sei que eu fui sincera.
Ainda hoje lembro de tudo que fiz com muito pesar, e eu posso até não ter mudado, mas eu juro que estou tentando.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Recomeçando.

Já tive alguns blogs, a verdade é que nunca tinha nada novo sob o sol.
Ainda não há, mas agora eu preciso falar!
Agora eu preciso externar todas as coisas que eu não conseguia falar.
Agora eu preciso me libertar da resistência familiar que não me permite esticar a conversa pro meu lado.
Agora eu vou escrever sem parar!
Me espera que eu tô chegando. :)