Eu não sei vocês, mas eu consigo compreender bem os mecanismos de uma luta.
Cada uma tem a sua estratégia, o boxe tem a sua, o jiu jitsu outras, o karatê outras... e às vezes as estratégias são parecidas, porque se encaixam em ambas as regras. Eu (eu Sabrina) entendo as lutas sociais dessa forma; foi uma analogia estranha pra começo de conversa, mas elucida bem onde quero chegar.
Ora, eu preciso de estratégias pra encarar uma luta se eu quiser sair vencedor. De uns tempos pra cá eu venho presenciando dentro dos movimentos sociais certas discussões que fogem totalmente do meu campo de visão estratégica.
Surgem diariamente na internet textos, contos, relatos e etc... sobre assuntos relevantes do dia, ou da semana, ou do mês. E o assunto bola da vez foi a segunda pesquisa sobre os indicadores de estupro. Um número absurdo de pessoas (a maioria homens) seguem culpando a vítima pelo próprio estupro. Absurdos à parte, vimos circular um texto de um rapaz (?) cuja intenção era mostrar sob o ponto de vista masculino o horror que é um estupro e suas dimensões e como é estar no lugar de um homem nessa situação, deixa claro que passa a entender que tem sim a essência de um estuprador, mesmo que não seja bom admitir. A interrogação sobre "rapaz" é porque é um texto aparentemente fictício. Não me pareceu uma história real, mas um conto para conscientização sobre o tema, portanto, poderia sim ter sido escrito por uma mulher, por que não?
Passamos tanto tempo estudando o ponto de vista dos homens, buscando compreender e combater a forma como somos enxergadas numa sociedade patriarcal, e quem tem estratégia sabe: Um homem somente irá digerir instantaneamente aquilo que for dito por um "parceiro". Não adianta ser romântica e pensar que vamos ser ouvidas pra já, ainda não chegou esse momento.
Estamos no meio da batalha agindo como se a guerra estivesse ganha. E que me perdoem as donas dos textões diários, mas sem estratégia não tem vitória.
No meio desse furacão, "o que vale mais, a mensagem ou o mensageiro?".
E me pergunto, quando o feminismo deixou de ser luta pra ser o clube da Luluzinha?
Eu não sei, tô perdida no meio do caminho.

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